quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Paul Mauriat - 90 a 92 - To jazz up

1992 – TO JAZZ UP:
Em pleno pós-guerra, Mauriat na orquestra do violinista
Louis Frosio, em 1946, no Sport Club Nautique Maxime

As coisas inclassificáveis são fascinantes por si só. Mas, a partir de silogismo, conexão de idéias, elas só surgem a partir do que possamos, a princípio, classificar, me rendo. E, além da necessidade capital disso, de servir para arrumar lps, cds e dvds nas prateleiras das lojas, classificar coisas nos servem, também, para entender certos processos. Diz-se que Mauriat deixou a liturgia da música erudita pelo jazz e palcos menos nobres, digamos. Ainda bem, porém. Já perdoado da era excessivamente eletronizada e latinizada do final dos anos 80, num 'remake', bem vindo, de 1992, ele perpassa pelo que provavelmente o apaixonou: o jazz. Nascido do blues, das work songs dos trabalhadores negros norte-americanos, do negro spiritual protestante e do ragtime, o jazz passou por uma extraordinária sucessão de transformações no século XX e pautou quase tudo o que se escuta hoje.
Mauriat a reger o solo de
Jean-Claude Chanavat em Caravan, 1998

E essa evolução proporcionou um notável desdobramento em estilos, até hoje: new orleans, swing, third stream , bebop, cool, free, fusion, latin, etc. Mauriat, assim, perpassa aos anos 40 e 50, do século passado, com o dançante e palatável swing de Glenn Miller e Cole Porter, além do fascinante third stream de Dave Brubeck e Duke Ellington em Caravan e Blue rondo a la Turk, magistrais, aqui. Third Stream (terceira corrente) procura realizar uma fusão entre o jazz e a música erudita ocidental. O nome foi utilizado pela primeira vez em 1957. O swing ficou indelevelmente associado às grandes orquestras, e o período que vai aproximadamente de 1938 a 1943; conta com uma audiência vasta e fiel ainda hoje.

Paul Mauriat em 1948, com Marcel Bianchi

Extrema qualidade técnica, perfeito acabamento formal, arranjos elegantes e caráter dançante eram as marcas do estilo, que nem por isso carecia de força, como provam as performances da possante máquina instrumental dirigida por Mauriat. Das especiarias, a épica Building the groove (em estúdio) e a africana Cimbala que apresenta uma levada diferente do que Mauriat tradicionalmente fazia, especialmente em estúdio, com baking vocals femininas e a base rítmica, claro, carregada por uma cimbala (instrumento tribal africano); pontos a favor por não ter sido lançada comercialmente: mais esas surpresa. 'To jazz up'! Como dizem os norte-americanos, ou 'torne a vida mais interessante'!
(capa meramente ilustrativa)

1990 - About winter
1990 - Fly me to the moon
1990 - Towards the spring wind
1990 - You don't know me
1991 - Building the groove
1992 - Blue rondo a la Turk
1992 - Caravan
1992 - Cimbala
1992 - My funny valentine
1992 - Take five
1992 - Tenderly

Um comentário:

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