quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Paul Mauriat - 97 a 97 - Erudito

ERUDITO:

Particularmente avesso à classificações (por que quando classificamos coisas, sem o simples sentido de organizá-las, sempre as limitamos), me rendo à necessidade de pensar algumas coisas em relação a isso. E definir e explicar música erudita é um desafio e tanto - e por isso interessante, diga-se. Diz-se como música erudita como aquela que se caracteriza pela notação musical, ou seja, representada por notas e executada, assim, exatamente de acordo com o que o compositor ou arranjador deseja, a antítese da improvisação do jazz e da música popular cantada e tocada de ouvido.
Mas levada em consideração a concordância e sucessão de diversos sons agradáveis, a forma, pode-se dizer que algumas são, também, eruditas - as que nos trazem sentimentos de emoção, fruição, surpresa, ou algum estímulo intelectual, reflexivo e até mesmo filosófico. Além disso, a música erudita se caracteriza, também, pela sua estética física, ou seja: pelos timbres (qualidade do som emitido produzido por freqüências de ondas que nos remetem a identificar certos instrumentos ou vozes - física), por tanto, uma música erudita pode ser classificada com tal pela formação clássica de orquestra, sem artifícios eletrônicos e modernos como bateria, teclados e baixo, por exemplo.

Além de tudo isso, soma-se a tradição da obra executada. Falando nisso, diz-se música clássica, para o período do classicismo (séc. 18 e 19), e não como sinônimo de erudita, pois essa é dividida em muitos períodos, da música medieval até o vanguardismo, já no século 20, além de ter elementos diferenciados entre ocidente e oriente. Então, toda a música de Mauriat é erudita, pois ela é notada.

Philip Glass é erudito, mas utiliza a eletrônica. Por outro lado, transcreva Stairway to heaven, do Led Zeppelin, para uma orquestra (como a Sinfônica de Londres fez), e tenha assim uma obra erudita em todos os aspectos. Para a
gurizada e alguns pensadores, Elis Regina, sublime e consagrada, é erudita. Mas, direto do senso comum, algumas obras de Paul tem um sentido erudito, particularmente me remetendo à questão estética física e harmônica. Por silogismo, Paul era avesso à ordem cerimonial desse tipo de música; mas acabou em determinados momentos produzindo maravilhas, algumas aqui estão; talvez para se pôr em evidência como capacitado para tal, face ao desdém de críticos mais tradicionalistas, convencionais. No mais, sente-se a belíssima vanguardista de Arcadio, executada por ele mesmo ao piano, o qual também compôs March Flowers; Entracte from L'Arlesienne, linda, linda, do francês Bizet; as valsas do polaco Chopin; a romena Hora staccato, uma das preferidas dos violinistas; das festas cristãs, as natalinas (aliás, a história da música está ligada diretamente às religiões).

Algo do folclore alemão (aqui apenas uma ressalva, pois Paul usou o baixo elétrico-poderia passar sem essa, mas está legal, mesmo assim); Aranjuez, excerto do Concerto para Aranjuez, um caso à parte. De beleza unânime, representa o sentimento de Joaquin Rodrigo face ao retorno à sua cidade natal, Aranjuez, Espanha, depois da Guerra Civil a qual o fez perder sua bolsa de estudos em Paris, em 1939. Repleta de um sentimento nacionalista, composta inicialmente ao piano, trouxe o folclórico violão como solista à frente de uma orquestra, ousadamente. Ouve-se um belo diálogo entre um corne inglês e o violão, chegando ao final com uma longa cadência e a orquestra atacando em cheio. É de arrepiar. Curiosamente foi trilha sonora na viagem de Neil Armstrong à lua em 1969.
E a revolucionária A Marselhesa, hino (1792), acima de tudo da Revolução Francesa, foi banido por pelo menos três vezes, duas por Napoleão, por achar que fazia apologia ás revoluções. Aliás, só foi estabelecido como tal, em 1879. Como curiosidade é chamada assim, por que se popularizou, inicialmente, entre os exércitos de Marselha, cidade natal de Mauriat. "Às armas cidadãos! Formai vossos batalhões! Marchemos! Que um sangue impuro segure o nosso arado! Entraremos na batalha quando nossos anciãos não mais lá estiverem. Teremos o sublime orgulho de os vingar ou os seguir!".
(capa meramente ilustrativa)

1997 - Entracte from L'Arlesienne
1997 - If cloud knows
1997 - Intermezzo to act III from Carmen
1997 - Liebestraum
1997 - Loving you by my whole life
1997 - March flowers
1997 - Pathetique symphony
1997 - Prelude from La Traviata
1997 - Traumerei
1997 - Twilight serenade

3 comentários:

  1. parabens pelo blog.madar os links pro meu email,eu agradeco andre,pela atencao amoaamizade@oi.com.br

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  2. Com certo jeito consegui baixar alguns arquivos.
    André, seu trabalho é fantástico! Basta entrar no seu blog e pode-se fazer qualquer viagem musical que se imaginar. Não lhe deu muito trabalho?
    Leomax/Fortaleza/CE
    seuleo@ig.com.br

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  3. Pessoal; muito obrigado pelos comentários e me desculpe nos atrasos das atualizações, mas cá estou. Se não me engano, para o amigo acima de Leomax, já enviei os links, há algum tempo. Quanto ao trabalho, sim, deu e está dando, muito trabalho, principalmente pela insanidade dos executivos das gravadoras que estão sempre retirando meus links do ar, sendo que nenhuma dessas músicas conseguimos comprar aqui no Brasil, e pasmem, até na França é difícil de encontrar Mauriat no comércio convencional. Por que incomodam com essa história de royalties, não sei. Antes de retirar os links por isso, que lancem, então, as obras para que possamos comprar. Quem não queria ter essas obras com as capas, informações, fotos, originalmente? Bom, mas vale muito à pena, esse trabalho. E eles retiram, e eu coloco novamente.

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