quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Paul Mauriat - 65 a 68 - Viés anti-imperialista

1965 a 1968 - VIÉS ANTI-IMPERIALISTA:

O período de 1965 a 1968 se caracteriza por um viés anti-imperialista na sua essência e com o olhar voltado às causas orientais e latino-americanas em plena Guerra Fria. Os resquícios de seu interesse pela Rússia (Le ruisseau de mon enfance) é presente.

Paul e Irene Mauriat, em Moscou, 1977

E talvez fosse homem pensante mais à esquerda, vide seu repertório (não a estética) aos padrões americanos de forma geral, principalmente nesse período, e suas leituras beauvoirianas e sartrianas, como diz numa biografia publicada numa seleção dupla do início dos anos 70. Para quem não sabe, o filósofo francês ateu Sarte (que era marido de Simone de Beauvoir, também filósofa e ícone da causa feminista) integrou o Partido Comunista Francês em 52, apesar de terem rompido com ele, posteriormente.

De qualquer forma, em 1968 Sarte entrava na direção do jornal de esquerda La Cause de Peuple (A Causa do Povo) e ajuda na fundação do jornal libertário (ou seja, anarquista) Libération, já em 1973. Só para se ter uma idéia, Sartre Recusou o Prêmio Nobel de Literatura (por As Palavras) por acreditar que nenhum escritor pode ser transformado em instituição. Dizia ele que "o ser humano está 'condenado' à liberdade. Isso significa que cada pessoa pode a cada momento escolher o que fará de sua vida, sem que haja um destino previamente concebido

(anarquismo). Ao invés disso, as escolhas de cada um são direcionadas por projetos...". Isso explica, de certa forma, a veia latino-americana, os devaneios no avermelhado folclore russo e a liberdade de que tanto Mauriat sempre falou.


(capa meramente ilustrativa)

1967 - La reine de Saba
1967 - Les anges dans nos campagnes
1967 - L'important c'est la rose
1967 - Love is blue (L'amour est bleu)
1967 - O holy night
1967 - Penny lane
1967 - Peuple fidele
1967 - Puppet on a string
1967 - San Francisco
1967 - Seuls au monde (avec Mireille Mathieu)
1967 - The last waltz (La derniere valse)
1967 - There's a kind of hush
1967 - This is my song
1967 - Trois anges sont venus ce soir
1967 - Try to remember
1967 - Un monde avec toi (avec Mireille Mathieu)
1967 - Vivre pour vivre

1967 - A PANACÉIA DE LOVE IS BLUE – L’AMOUR EST BLEU:

Contrariando as tendências, eu não gosto muito de Love is blue, apesar de ter sido seu grande sucesso. Mas alguém já disse que sua ventura não está em sua harmonia, mas sim em seu arranjo, onde Paul cruzou vários instrumentos, fez um looping interessante e etc. Era um arranjo mopderno à época. Mas, como curiosidade, alguém, aqui mesmo na comunidade, disse que havia conhecido Mauriat devido a um episódio de um seriado norte-americano chamado Millenium, de 1997. Millenium é uma sociedade de pessoas que acreditam que os assassinos psicopatas do mundo estão subconscientemente reunindo esforços para causar uma catástrofe pelo ano 2000, o novo Milênio. E no episódio em questão, o 10º, chamado Weeds (Erva Daninha) Love is Blue é reproduzida incessantemente para uma determinada condição. Bom, de acordo com o site oficial do seriado, a música mais famosa de toda a séria era justamente Love is Blue, escolhida especialmente pelos autores. Na história, alguém questiona a escolha da música por um dos personagens e este diz: "- O amor é azul. Não branco ou vermelho ou amarelo. - Amor não é verde. - É azul. Esse é o brilho desta música. - Quando eu te tocar, que cor você se sente? - Fico furiosa quando dizem que é música de sala de espera (lounge). - Mozart, Beethoven, Haydn, eles nunca poderiam fazer uma música dessas. - Só os verdadeiramente dotados podem compreender isso. - Você sentiu isso. - Azul." Exageros á parte, Love is Blue é daquelas músicas identificáveis por qualquer ser. Não precisa necessariamente amar música ou ter nascido antes de 1965, mais ou menos. Toca até hoje em várias fontes. Acompanha as previsões meteorológicas da tv russa no programa Vremya e em 2006 foi utilizada a sua base no comercial de alta veiculação no desodorante Lynx Dry, da Gessy Lever e aqui em 2008 com o nome Axe. No filme “Nascido em 4 de julho” (1989), quando Ron Kovic volta da Guerra do Vietnã e vai visitar seu capitalista colega e amigo na sua mais nova empreitada, um fast-food ao estilo Mc, eis que Love is blue é pano de fundo da conversa dos dois. L'Amour est bleu de Mauriat foi inscrita no Eurovision Song Contest 1967 e se tornou uma das favoritas dos fãs do Contest, até apareceu como parte de um medley na introdução da semi-final do Eurovision Song Contest 2006, em Atenas. Ademais, é a responsável pelo recode até hoje de um artista de música instrumental e francês estar por 6 semanas em 1º lugar na Billboard Hot 100 norte-americana, entre fevereiro e março de 1968. Que assim seja, então.

(capa meramente ilustrativa)

1966 - A taste of honey
1966 - Guantanamera
1966 - I'll go on loving her (avec Charles Aznavour)
1966 - Somewhere my love
1966 - Love me please love me
1966 - Michelle
1966 - My love
1966 - Paris en colere
1966 - Reach out (I'll be there)
1966 - Sunny
1966 - Un homme et une femme (avec Mireille Mathieu)
1966 - Un homme et une femme
1966 - Winchester cathedral
1967 - Concierto de Aranjuez
1967 - Entre le boeaf et l'ane gris
1967 - Il est ne le divin enfant
1967 - La banda (A banda)

PAUL MAURIAT & MIREILLE METHIEU:

Mireille Mathieu foi um caso à parte na vida de Mauriat. Édith Giovanna Gassion, Piaf, o grande mito, musa, das chansons e que influenciou toda a geração de cancioneiros do século XX, inclusive no Brasil, morre em 1963, aos 47 anos, desgastada pela morfina e pela época em que rodava pelas ruas da Paris do pós 1ª Guerra, abandonada pelos pais, particularmente a mãe. Porém, autora de conhecidas nossas como La vie en rose e L'hymne à l'amour, não se queixou de nada, em Non Je me regrette rien (Não me arrependo de nada, dane-se-se o passado...). Talvez Piaf tenha cruzado com Mauriat; além do que ela ajudou a decolar Aznavour, o levando em turnês nos Estados Unidos e pela própria França e gravando muitas de suas canções. Mas, após a morte de Piaf, Mireille se tornou a sua sucessora natural, pela sua aparência, dizem (era bonita e jovem) e competência musical incomensurável. Também de origem muito pobre, Mireille, que tinha 16 irmãos, lembra-se do dia mais feliz de sua vida: quando conseguiu tomar um banho quente e decente, como ela mesma diz aos 15 anos de idade. Aos dezoito anos, em 1965, participa de um concurso de calouros, no programa Télé Dimanche. Johnny Stark, empresário de Mauriat, também, assiste à apresentação e aposta em Mireille. Considerando-a como um diamante bruto, imediatamente pensou em Mauriat, perfeccionista, experiente e com uma bagagem que levava nada mais, nada menos do que Aznavour, Chevalier e Henri Salvador, por exemplo; além disso, como observou Stark, tinha a mesma simples origem meridional de Mireille, nascida em Avignon, perto de Marselha. Observando, sabe-se que na Europa, de forma geral, as características culturais são bastante distintas em regiões dentro de um mesmo país.
Paul Mauriat e Mireille Mathieu, 1977

E o sul da França se caracteriza pelo maior porto da Europa, o de Marselha (fundada pelos gregos em 800 a.C); fato que trouxe ao conhecimento daquela população culturas de diferentes lugares. Além do mais, tradicionalmente é sempre levada em consideração a veia nacionalista face aos conhecidos exércitos de Marselha (vide a origem do hino francês, a Marselhesa). Também foi convocado o melhor engenheiro de som da Europa naquele momento, Gérhard Lehner. Paul, que já estava em carreira solo com seus discos instrumentais, rejeitou o convite a princípio, mas acabou aceitando o desafio, porém. Com algumas canções (escritas com o letrista André Pascal) no bolso, Mauriat, como diz Mireille, dedicou-se 24 horas por dia a ela e faz ressalva à sua generosidade e paciência (ela chega a citar Irène Mauriat, esposa de Paul, com participante pacienciosa nesse exaustivo processo). Eram quatro perfeccionistas, contam eles: Mauriat, Stark, Mireille e Lehner. E, em 65, mesmo, o primeiro disco dessa parceria vendeu mais de um milhão de cópias, com as músicas Mon credo, Celui qui m'aimera e Quand on revient, de Mauriat; um feito na época. Mas essa parceria tão celebrada vinha a se separar por Love is blue, já em 1968. Com investimentos monumentais, dizem, dos burocratas da Phillips, a partir daí, Mauriat seguiu a carreira que conhecemos e com a liberdade que ele tanto almejava. E Mireille também. Porém, além da amizade, se encontraram profissionalmente, depois, várias vezes.

(capa meramente ilustrativa)

1965 - Et Pourtant (avec Charles Aznavour)
1965 - I know a place (Viens avec moi)
1965 - Isabelle (avec Charles Aznavour)
1965 - Kalinka
1965 - Kosaken-Patrouille (Plaine, ma plaine)
1965 - La Boheme (avec Charles Aznavour)
1965 - La mer
1965 - Pardonne-moi ce caprice d'enfant (avec Mireille Mathieu)
1965 - Paris en colere (avec Mireille Mathieu)
1965 - Qui (avec Charles Aznavour)
1965 - Les yeux noirs (Dark eyes)
1965 - The song from Moulin Rouge
1965 - Une petite cantate

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